O que é Poder?

O Conceito de Poder

Ter “poder” é ter a capacidade de mudar o estado das coisas de uma dada situação, organização ou até sociedade.

Para entendermos o conceito de Poder, precisamos buscar o significado primário deste conceito. Ou seja, o que a primeira pessoa que utilizou a palavra “poder” quis dizer com isso.

Poder, em última análise é “poder fazer”.

Ter “poder” é ter a capacidade de mudar o estado das coisas de uma dada situação, organização ou até sociedade.

O conceito de poder está logicamente atrelado a relações humanas, isto é, para se ter o poder de mudar algo é preciso ter alguém para realizar, isto é, obedecer. Quanto mais pessoas obedecerem ao que você diz ou seguirem o que você orienta, mais coisas você pode mudar e, portanto, mais poder você tem.

Em uma empresa, por exemplo, o dono é a pessoa que tem mais poder. Ele pode resolver alterar os preços dos produtos e todas as pessoas da empresa devem acatar, assim como todos os clientes que quiserem comprar os produtos.

Mas o conceito de poder não nos diz nada sobre o “cargo” da pessoa que tem poder. Sendo assim, um gerente de vendas que consiga fazer o dono da empresa alterar os preços para cima ou para baixo terá, por fim, mais poder que seu próprio superior.

A conclusão direta é de que ter um “cargo” não significa necessariamente “ter poder”.

Uma característica do poder é que ele sempre busca seu próprio crescimento. Pessoas ou organizações poderosas sempre agem no sentido de manter e aumentar seus poderes sobre aquilo que elas dominam.

Desta forma, toda instalação de poder em uma organização, se não for controlado, tenderá a ser um governo autoritário, isto é, a pessoa que tem um poder, que não é controlado por outras pessoas, tende a ser mais e mais autoritária, impondo suas vontades e fazendo com que todas as pessoas obedeçam.

O poder não é exercido apenas em questões de países. Um síndico de um prédio tem poder, que normalmente é controlado pelos moradores, através das reuniões de condomínio. Sendo assim, o síndico pode propor soluções para o prédio, mas elas serão implementadas apenas se aprovadas pelos moradores através de uma votação.

Poder e Obediência

“Poder” é algo que se estabelece assim que duas ou mais pessoas se reúnem para qualquer propósito. Até em um núcleo familiar há uma tensão de poderes, isto é, o marido tem o poder sobre algumas coisas e a esposa sobre outras. Os filhos também têm poderes sobre outras coisas da vida familiar.

Entretanto, se uma menina de 5 anos de idade consegue tudo o que quer apenas exigindo. Se ela pede um McLanche Feliz às 11 da noite e sempre é atendida, é a menina de 5 anos que tem o poder sobre os pais.

Poder tem relação direta com o grau de obediência que você consegue de outras pessoas.

Não se pode confundir “poder” com “liderança”. Um líder é capaz de convencer as pessoas a fazerem algo sem impor que elas façam. Não lideram através de uma dinâmica de obediência, mas de colaboração.

O poder a que me refiro aqui é aquele exercido com a imposição de ações, regras ou comportamentos que serão obedecidos pelas pessoas.

Poder, Obediência e Medo

Esta obediência está diretamente relacionada com o medo. Uma pessoa tem poder sobre aquelas pessoas que a temem e não sobre aquelas pessoas que o admiram apenas.

O patrão tem poder sobre os funcionários pois esses temem perderem seus empregos caso não obedeçam às orientações dele.

Não é a admiração que o funcionário possa ter pelo seu chefe que o mantém fiel a ele, mas sim o temor de ser punido ou de perder seu emprego. E até o temor de perder a admiração dele, caso o desobedeça.

O síndico tem poder, pois os moradores temem serem multados caso descumpram as regras do prédio.

O Estado tem poder pois a população tem medo de ser presa, caso cometa um crime.

Estas dinâmicas de poder acontecem todo o tempo em todas as situações humanas em qualquer lugar que você esteja.

O Poder nas Ciências Políticas

Agora analisemos o Poder sob o aspecto das ciências políticas, isto é, como o poder é exercido em nações para a organização de suas sociedades.

Em uma sociedade, entenda-se aí um país, um estado, uma cidade, o poder se dá através de três grandes formas: o poder político, o poder econômico e o poder cultural (ou ideológico).

Em todas as sociedades estas três formas de poder coexistem exercem forças entre elas, cuja resultante compõe a forma com que o poder é exercido sobre os habitantes.

Pessoas ou grupos de pessoas podem obter poder sobre uma sociedade através destas formas e não apenas através da obtenção de “cargos eletivos”. Ou seja, é possível mandar acontecer sem ser o presidente, desde que a forma de poder que você detém faz com que as pessoas a obedeçam.

O Poder Político

O poder político é exercido por pessoas, grupos de pessoas ou até nações através da imposição de normas de conduta que serão obedecidas por toda ou parte da sociedade.

O cargo político não é o poder. É apenas uma das formas de expressão de poder. Entretanto, uma multidão de pessoas se manifestando exercem poder sobre os próprios ocupantes dos cargos.

Uma instituição de orientação política qualquer é capaz de organizar uma série de ações políticas sem nunca ter sido eleita. Através do que se conhece como “militância”, isto é, pessoas dispostas a difundir esta orientação e fazer acontecer.

Um partido político, por exemplo, pode convocar uma manifestação com data, hora e pauta específica e, assim, exercer uma extrema forma política sobre o governante local.

O poder político, em última instância, é o poder de controlar a conduta de pessoas através de diversos meios. Desde leis até armas.

Nações exercem poder político sobre outras nações através do balanço de forças militares e não sobre frágeis acordos bilaterais.

Assim, a grande difusão de armas atômicas após a Segunda Guerra Mundial foi uma forma com que várias nações tentaram obter poder sobre outras e até possuir poder de defesa contra as potências nucleares.

Há diferentes formas de composição do estado, mas neste material vou me ater ao estado democrático representativo, como no Brasil.

O Poder Econômico

O poder econômico é exercido por quem tem posse de bens e de dinheiro, de forma que consegue controlar as ações das pessoas que têm menos do que ele.

Desta forma, uma empresa consegue manter sua capacidade de funcionar e gerar mais riqueza, não com a “ajuda” de seus funcionários, mas com a “dependência” que eles têm do emprego que o poder econômico oferece.

Estes termos foram muito atenuados nas últimas décadas como forma de atenuar a percepção de “patrão versus empregado”. Hoje as empresas chamam seus empregados de “colaboradores”, mas no final e ao cabo, pessoas são empregadas em tarefas específicas para que a empresa obtenha suas metas no final. Basicamente o lucro.

O poder econômico é capaz de influenciar o poder político de formas legais e ilegais, através da corrupção, obviamente.

Sendo assim, grandes grupos empresariais conseguem que leis sejam aprovadas de forma a beneficiarem seus interesses econômicos, ainda que possam ir contra os interesses da sociedade.

Por outro lado, o poder político é capaz de influenciar o poder econômico através de medidas de restrição de suas ações. Nos Estados Unidos há a chamada “Antitrust”, uma iniciativa do governo de frear o acúmulo de poder de grupos econômicos, por exemplo, uma empresa que compre outras empresas do mesmo ramo para, no final, ficar sozinha no mercado, criando um monopólio.

No Brasil o órgão que regulamenta e fiscaliza este tipo de ação é o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Este órgão governamental tem o poder de impedir que uma empresa compre outra empresa e acabe acumulando uma parcela muito grande de mercado.

O poder econômico influencia o poder político através da oferta de sua capacidade de gerar benefícios para o país, como PIB, emprego e renda.

O poder político influencia o poder econômico através das regulamentações de suas ações, permitindo mais ou impedindo mais.

O Poder Cultural (ou Ideológico)

O poder cultural é exercido por quem tem a capacidade de criar ideias, ideologias, narrativas e até distorções dos fatos para, com isso, influenciar as outras pessoas.

É o poder cultural que gera o convencimento das pessoas e, por fim, fazem com que elas se sujeitem a aceitar o poder investido contra elas pelos poderes políticos e econômicos.

Nos últimos anos, é a imprensa quem está exercendo o poder cultural no Brasil, difundindo ideias contra o governo eleito, muitas vezes de forma distorcida e algumas vezes de forma mentirosa.

O poder cultural também é exercido através de obras culturais como peças de teatro, cinema, música, com temas específicos e, de forma simplória, mostrando quais são os comportamentos certos (o dos bonzinhos que sofrem nos filmes e novelas) e quais os comportamentos errados (o dos maus, que morrem ou vão presos no final).

Desta forma, o poder cultural molda o entendimento da realidade das pessoas. De certa forma, ele “edita” a verdade. Ou seja, expõe fatos e histórias em um formato específico para obterem o convencimento das pessoas.

Este convencimento é conhecido como o “povoamento do imaginário”. Como nenhuma pessoa é capaz de passar por todas as experiências humanas possíveis, o consumo de produtos de ficção (livros, filmes) povoa seu imaginário com experiências humanas que existem, mas que você nunca experimentou.

Por exemplo: Se você nunca viveu em uma comunidade comandada pelo tráfico de drogas e sob constante conflito com a polícia, um filme poderá colocar em sua imaginação esta realidade. Mas o poder cultural fará isso de forma a te convencer de que a) a polícia age de forma certa; b) a polícia age de forma errada; c) o traficante deve ser preso ou morto; d) o traficante é uma pessoa amada por sua comunidade e não teve outras oportunidades na sociedade para ser um cidadão correto.

Uma grande porcentagem de sua percepção da realidade lhe é entregue através do poder cultural.

A única forma que você tem de “validar” estas informações, ou seja, de verificar se elas correspondem mais ou menos corretamente à realidade é através da busca de mais informações sobre o assunto em outras fontes, preferencialmente de fontes primárias. Por exemplo, conversando com alguém que efetivamente vive naquela realidade ou que já foi testemunha direta de algum fato.

Ou através de documentos oficiais que narram aquela realidade.

O Poder Cultural é capaz de influenciar os poderes políticos e econômicos forçando-os a aprovarem leis e a realizarem ações que estejam alinhadas com suas narrativas da realidade, tendo como base de apoio, a própria população que foi convencida por ele.

Assim nasce a atual “cultura do cancelamento”, ou seja, caso uma empresa faça uma propaganda com algum tipo de mensagem que seja interpretada como errada pelo poder cultural (racista, machista, homofóbica), uma grande onda espontânea de protestos contra a empresa é imediatamente disparada pelas pessoas, cujo imaginário já foi programado para reagir contra estes comportamentos.

Ideologias e o Poder Cultural

É o poder cultural que gera as ideologias que serão disponibilizadas ao julgamento das sociedades.

O poder cultural é composto pela produção de ideias de diferentes pessoas, que podem ser conflitantes, criando o que se denomina de “dialética”.

Ideias conflitantes devem fazer parte de uma sociedade que, então, é convencida por uma ou outra ideia. Este conjunto de ideias de um e de outro lado é conhecido como Ideologia.

O equilíbrio interno do poder cultural é promovido através da produção de “debates” de ideias, que podem acontecer também através dos meios de comunicação. Você pode assistir a uma novela que promove o aborto, pode assistir a um programa cristão ou ler um livro que debata a questão do aborto sob diversos aspectos.

Este debate de ideias exposto na sociedade será então absorvido por você, que, então, deve formar um entendimento próprio sobre o assunto.

O Discurso Único e a Espiral do Silêncio

A forma como o poder cultural tem agido nas últimas décadas é com o chamado “discurso único”. Há uma enorme concentração das empresas de mídia em poucos conglomerados que, então, dirigem o discurso que será difundido por todas elas.

É por isso que você consegue presenciar toda a televisão, rádio e jornal do brasil combatendo o atual presidente da República, pois ele tirou o dinheiro dos seus impostos que iam para estas empresas através de propaganda para investir, por exemplo, na construção de estradas e para levar água para o nordeste brasileiro.

A grande massa da população consome as informações desta grande mídia. Com o uso do discurso único, dois fenômenos aparecem:

a)- O convencimento de uma grande parcela da população, através da repetição do mesmo discurso continuadamente

b)- O silêncio das pessoas que não concordam, pois têm entendimentos diferentes da realidade do que o exposto pela mídia.

Esta é a chamada “Espiral do Silêncio”. As pessoas que não concordam com o discurso único têm medo de se manifestarem e serem agredidas pelo restante da sociedade, sob denominações de alienado, homofóbico, machista e por aí vai.

A Psicologia do Poder

Todos nós já nos perguntamos o por que algumas pessoas parecem ter uma sede insaciável de poder. Muitas vezes são pessoas que já são muito ricas, portanto, não se trata de ganhar mais dinheiro.

A manutenção no poder é viabilizada com o acumulo de riqueza, sem dúvida. O dinheiro tem a capacidade de comprar os meios de ação, de que o poderoso necessita.

Mas para ele, o poderoso, por que ele tem esta necessidade de ter algo tão subjetivo como poder?

A pessoa que tem poder (com ou sem um cargo) adquire diferentes status perante a sociedade. Seja amado ou odiado, ele é reconhecido. Ou seja, o objetivo final do poder não é o de ser amado.

Torna-se uma pessoa famosa, seja em toda a sociedade, seja em círculos menores ao qual ele pertence.

De maneira mais íntima, acaba sendo uma pessoa badalada e cuja companhia é requerida para as mais diversas ocasiões. Palestras, cursos, festas, viagens, etc.

De forma totalmente íntima, ou seja, de cunho puramente pessoal, a pessoa imagina que terá seu nome lembrado com um quadro em alguma parede, com o nome de uma rua ou até de um aeroporto.

Imagine agora o poderoso, sozinho, deitado em sua cama na hora de dormir, que é uma das poucas situações em que mentir não faz o menor sentido, nem para si mesmo.

O poderoso realizou tudo. Sente-se bem, sente-se valorizado e reconhecido por outros.

Tudo o que ele fez foi para este momento: alimentar sua própria vaidade.

O Poder Político no Brasil

O poder no Brasil é exercido através do equilíbrio de três grandes poderes: O Poder Legislativo, composto por deputados, senadores e vereadores eleitos, o Poder Executivo, composto pelo presidente eleito e seus ministros de estado e o Poder Judiciário, composto por juristas nomeados pelos outros dois poderes.

Desta forma, o poder legislativo é aquele que formula as regras (leis) que irão reger o funcionamento da sociedade. O que se pode fazer, o que não se pode, o que é crime, quais as penas, e assim por diante.

O Poder Legislativo também aprova ou desaprova as ações que o Poder Executivo propõe, por exemplo, através das Medidas Provisórias (MPs), Projetos de Lei (PL) ou Projetos de Emendas Constitucionais (as PECs)

Com a aprovação de uma proposição do Poder Executivo, este pode então efetivamente agir, com o uso do dinheiro público para obras, investimentos e implementação de programas de governo nas diversas áreas ou ministérios. As Políticas Públicas de Saúde, Educação, Segurança, por exemplo.

Já o Poder Judiciário tem a obrigação de garantir que as leis aprovadas pelo Poder Legislativo sejam cumpridas. Este é o Poder que efetivamente pune o cidadão ou organização que não obedeça às leis.

A Democracia Representativa pressupõe a busca constante pelo equilíbrio entre estes três poderes, para que se evite aquele fenômeno, que mencionei antes, de que um poder sem controle tende a ser cada vez mais autoritário.

De forma simples:

  • O Poder Legislativo tem o dever de fiscalizar se o Poder Executivo está realizando seu trabalho da forma correta.
  • O Poder Executivo tem o poder de vetar leis propostas pelo Legislativo
  • O Poder Judiciário tem o poder de resolver conflitos que possam surgir entre os outros 2 poderes, utilizando-se da Constituição Federal como base.

Desta forma, controla-se os ímpetos autoritários de qualquer um dos três poderes. Na teoria, é claro.

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César Cremonesi

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Sobre o Autor

César Cremonesi é engenheiro, empreendedor, consultor de negócios e aluno de Olavo de Carvalho. Fundador da Porphirio, cujo propósito é o de levar conscientização política para a sociedade, com pensamento de direita, que trata os conceitos a partir de sua relação com a estrutura da realidade. Conservador, apoiador de Bolsonaro e dos Valores Permanentes do brasileiro.