Desistências de Boulos e França não são vitórias da Direita.

As desistência de Guilherme Boulos (PSOL) e – provável – de Márcio França (PSB) ao Governo de SP estão sendo comemoradas como vitórias da direta, que não enxerga além de poucos dedos á frente do nariz.

A desistência pela candidatura ao governo de São Paulo por Guilherme Boulos foi amplamente divulgada no dia de ontem (21), após um Tweet do militante do MTST, anunciando sua pré-candidatura a deputado federal para “derrotar Eduardo Bolsonaro”, a quem desafiou para um debate e chamou de “bananinha”.

De outro lado, o colunista Florestan Fernandes, da Forum, anunciou que Márcio França também deverá deixar a corrida pelo governo do estado.

Ambos movimentos foram comemorados por setores da direita, como sendo uma vitória da direita, na medida em que estes candidatos teriam desistido pois não veem possibilidade de ganharem no pleito.

Um apoiador de Bolsonaro e forte entusiasta de Tarcísio de Freitas para o estado, chegou analisar as desistências como frutos de uma “incrível ascensão” do candidato de Bolsonaro, que não consegue se posicionar bem nas pesquisas desde o anúncio de sua pré-candidatura há quatro meses.

A despolitização da classe influenciadora da direita leva à impossibilidade do entendimento do que estes movimentos significam, na verdade.

Ao desistir de São Paulo, Boulos consolida a candidatura de Haddad (PT), que deverá ter o ex-prefeito de Campinas, Jonas Donizete (PSB) como vice.

Esta composição é reflexo exato da composição Lula-Alckmin para a presidência, o que garantirá palanques para ambas as chapas no estado de São Paulo.

Para piorar a situação, se Boulos simplesmente repetir sua votação de 2020, com pouco mais de 1 milhão de votos, garantirá, sozinho, 3 cadeiras para o PSOL na Câmara dos Deputados.

Já a desistência de Márcio França irá consolidar o vice de Dória, Rodrigo Garcia, como candidato do PSDB, que se tiver sucesso em descolar sua imagem do desgastado governador, poderá colher os frutos de seu trabalho de distribuição pessoal de convênios às cidades, na ordem de R$ 14 bilhões e, 2021/2022, através da Secretaria de Desenvolvimento Regional.

Garcia rodou todo o interior de São Paulo sem alarde, compondo acordos com dezenas de prefeitos para obter apoio agora em 2022.

Tarcísio, apoiado por Bolsonaro, ainda não tem nem partido, nem palanque definidos no estado, após a frustração de perder o jornalista Datena para o grupo de Garcia. Não há um nome forte para o Senado, que esteja ligado ao presidente Bolsonaro.

Caminhando com independência, Janaína Paschoal (PRTB) e a Dra. Nyse Yamagushi (PTB) pretendem se lançar à cadeira pelo estado.

Correndo por fora, vem o ex-ministro Abraham Weintraub, que deve se filiar ao Brasil 35 e ter o apoio de uma chapa de aproximadamente 150 candidatos à deputados federais e estaduais.

As consolidações de PT e PSDB em São Paulo deveriam disparar alarmes por toda a direita paulista, com uma derrota humilhante já se anunciando no horizonte.

Mas o ufanismo e a incapacidade de leitura de cenários políticos levam ao anúncio de vitórias eleitorais imaginárias, justamente por pessoas que pretendem representar a população paulista.

Ao nomear inimigos imaginários e comemorar vitórias imaginárias, a direita se prepara para uma grande vitória no mundo da fantasia e para uma nova debacle no campo da realidade.

César Cremonesi

Porphirio.com - Artigos da Direita Brasileira
Porphirio.com – Artigos da Direita Brasileira

Foto de Capa: Bianca Monteiro

Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre o Autor

César Cremonesi é engenheiro, empreendedor, consultor de negócios e aluno de Olavo de Carvalho. Fundador da Porphirio, cujo propósito é o de levar conscientização política para a sociedade, com pensamento de direita, que trata os conceitos a partir de sua relação com a estrutura da realidade. Conservador, apoiador de Bolsonaro e dos Valores Permanentes do brasileiro.