Campinas Está com Bolsonaro Na Porta dos Quartéis

Como em todos os domingos, já há meses em Campinas-SP, um grupo de 400 pessoas se reúne em manifestação na porta dos quartéis, em apoio ao Presidente Bolsonaro.

Embora eu, pessoalmente, não esteja a favor – neste momento – de uma intervenção militar no país, com ruptura do estado constitucional atual, a verdade é que:

Apenas os defensores de uma intervenção é que estão realmente nas ruas constantemente.

Neste domingo (18) fui acompanhar a manifestação, que ocorre às 10h da manhã em frente à Escola de Cadetes e entrevistei o Rafael Leite, um dos organizadores das manifestações em Campinas. Acompanhe:

Embora Rafael também não seja um forte apoiador da intervenção, ele participa e ajuda a organizá-la junto às autoridades da cidade.

“Quando a gente grita a palavra ‘intervenção’ é como se fosse o grito dos desesperados. porque a gente não acredita mais no Congresso, no nosso STF”, diz Rafael. “Nós estamos aqui para apoiar o Presidente Bolsonaro e que ele faça o que deve ser feito”, complementa o organizador.

A Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPeCEx) em Campinas é, também, um símbolo forte: Foi onde Bolsonaro iniciou sua carreira militar, formando-se Cadete do Exército em 1977 aos 22 anos de idade. Dalí, partiu para a Academia das Agulhas Negras no Rio de Janeiro.

Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Campinas - SP

Quem é de Campinas, sabe: passar na prova da Escola de Cadetes é uma tarefa dificílima para alunos saindo do 9º ano do fundamental.

Eu como morador de Campinas e um estudante um tanto relapso à época de meus 14 anos, nem arrisquei (risos).

Situação Atual no Brasil

A fúria inconstitucional crescente do Supremo Tribunal Federal, aliada à fraqueza moral e ética do Congresso e às políticas de supressão de liberdades dos estados, como forma de combate a uma doença que atingiu mortalmente 0,15% da população brasileira, elevaram a temperatura do ânimo do brasileiro, agora já próximo à ebulição.

Embora uma demonstração de força possa satisfazer nossos desejos de punição ao establishment corrupto do Brasil, esta satisfação poderá ser temporária.

Uma intervenção só pode ser justificada com um número muito maior de manifestantes atuando diariamente, provocando até uma paralisação das atividades da sociedade, mais ou menos como aconteceu em 2013.

O apoio da imprensa também é fundamental, entretanto Globo, CNN e as outras não estão mostrando nem pequenas manifestações pacíficas que ocorrem de vez em quando.

Diferentemente de 1964, quando a Globo apoiou o golpe, desta vez ela se encontra do outro lado do espectro social.

A Globo está frontalmente contra as vontades do povo, cujos anseios deveria divulgar.

Desta forma, sem uma grande “publicidade” sobre a vontade do povo, uma intervenção militar poderia ser compreendida em outros países, como um ato ditatorial CONTRA a vontade do povo. Oras, eles não estão sabendo quais são os movimentos daqui.

Riscos de uma Ruptura com Intervenção Militar

No mundo atual, globalizado (diferentemente de 1964), há riscos imponderáveis sobre uma possível ruptura institucional no Brasil

Acordos e Tratados Internacionais

O Brasil participa de diversas instituições mundiais, como a ONU, Banco Mundial, OCDE, cuja entrada e participação estão condicionadas à manutenção de uma constituição e dinâmica social compatível com a democracia.

Tratados e acordos internacionais, multilaterais e bilaterais também podem ser afetados por uma ruptura no Brasil, por exemplo, com a suspensão de exportação de produtos agrícolas e industrializados para certas regiões do mundo.

Sanções Comerciais

A primeira atitude que os países do G7 toma é a imposição de sanções comerciais a países com ruptura da democracia.

Sanções vindas do Grupo dos Sete países mais ricos do mundo (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) prejudicaria muito a economia do país e certamente causaria incertezas estruturais no país.

Incertezas são sinônimos de prejuízo para investidores, portanto o dólar poderia disparar rapidamente para R$ 7,15 (30% de ágio pela insegurança e fuga de capitais) e a Bolsa perderia rapidamente 50% de seu valor. Estes são níveis esperados de oscilação de mercados quando há ruptura institucional.

Os investidores saem primeiro e esperam para ver o que vai acontecer. Enquanto isso, estas oscilações poderiam levar o Brasil a um nível de inflação que não desejamos.

Ameaça Militar e Risco de Guerra

Ainda que o Brasil resista às sanções iniciais, passamos ao estágio seguinte de influência internacional. A ameaça militar.

O Brasil produz 40% do alimento do mundo e tem enormes reservas minerais que abastecem desde a produção de aço até microprocessadores, que demandam metais raros. Raros, mas que o Brasil tem.

Desta forma, o Brasil já tem um papel geopolítico relevante o suficiente para que outros países encontrem justificativa para atacar militarmente o Brasil por conta do domínio destes ativos.

Não pense que isto é um exagero, afinal muito assim foi feito apenas por causa de petróleo. Imagine quando se trata de commodities comerciais que alimentam bilhões de pessoas.

Os países do G7 em conluio com o Conselho de Segurança da ONU aprovariam uma ação militar contra o Brasil com a justificativa de ameaça de escassez mundial de alimentos.

O Que Campinas e o Brasil Realmente Querem?

Senhora de Campinas, cantando o Hino Nacional Brasileiro em Manifestação.

A leitura que faço das movimentações sociais do momento, que percebo interagindo com as pessoas no dia-a-dia (e não lendo livros de história, como os ministros do STF), são frutos da indignação do brasileiro com a impunidade dos corruptos.

O pedido de Intervenção Militar é um grito de desespero para que algo seja feito a fim de que o brasileiro retome uma vida pacífica, com liberdades garantidas.

A solução para esta indignação poderia vir facilmente das instituições estabelecidas, nominalmente, do STF e do Congresso. Mas a percepção de que ambos agem exatamente na direção oposta aos anseios populares, reforça o pedido da força bruta.

César Cremonesi

Porphirio
“Aqueles que não fazem nada, estão convidando a vergonha e, também, a violência. Aqueles que agem com audácia, estão reconhecendo o CERTO e, também, a REALIDADE”.
– John Fitzgerald Kennedy, 1963 sobre Direitos Civis nos EUA
Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre o Autor

César Cremonesi é engenheiro, empreendedor, consultor de negócios e aluno de Olavo de Carvalho. Fundador da Porphirio, cujo propósito é o de levar conscientização política para a sociedade, com pensamento de direita, que trata os conceitos a partir de sua relação com a estrutura da realidade. Conservador, apoiador de Bolsonaro e dos Valores Permanentes do brasileiro.