Bolsonaro não soube tomar o poder.

Ao ser alçado à presidência da república, Bolsonaro assumiu um cargo, mas não tomou o Poder, a que o cargo lhe dá acesso.

Das diversas vias de entrada para se entender o conceito de poder, a primeira e mais elementar é entender que Poder é a capacidade que uma pessoa tem de determinar as ações dos outros. Fazê-los fazer o que ele quer que seja feito.

Para isso, o agente se utiliza de meios ou instrumentos de poder, tanto lícitos (como apelo à amizade, pagamento lícito, convencimento, promessa de algo no futuro) ou ilícitos (chantagens, ameaças, pagamento de propinas, etc.)

O “cargo eletivo” é um meio de obtenção de poder, porém ter o cargo não é ter o poder. A tomada do poder se consuma apenas se, através do cargo, o presidente consiga conduzir pessoas no caminho que deseja.

Onde Bolsonaro errou?

Em live desta quinta-feira (28) com Victor Metta, ex-tesoureiro do PSL e membro do núcleo duro da campanha de Jair Bolsonaro em 2018, conversamos sobre o conceito de poder e, nesta perspectiva, onde Bolsonaro errou na tomada do poder que a presidência lhe confere direito.

Poder também é dizer “não”. No episódio da famosa “reunião ministerial” de 2020, em que o ex-ministro do STF solicitou a gravação da reunião, Bolsonaro tinha todo o direito (poder) de simplesmente dizer “não”. Tratava-se de uma reunião ministerial fechada do poder executivo.

O STF que obtivesse as informações que lhe interessava de outras formas, como oitiva de testemunhas, por exemplo.

Ao entregar o conteúdo da reunião, Bolsonaro começava a demonstrar que cederia a pressões, ou seja, ele é que faria o que lhe fosse ordenado e não o contrário, sujeitando-se então, ao poder de outros.

O episódio seguinte foi a proibição, por parte do Ministro Alexandre de Moraes, da nomeação de Alexandre Ramagem para a Superintendência da Polícia Federal. Esta nomeação, de acordo com a constituição, é prerrogativa exclusiva do Presidente da República.

Bolsonaro cedeu.

Ceder a pressões em nome de normalidade apenas atiça o apetite de poder de seus inimigos. A partir destes dois episódios, o STF agigantou-se e tomou todos os espaços de poder possíveis até agora e tomará tudo o que poder até que seja parado, de alguma forma.

Enquanto o presidente estava desgovernado, seus inimigos tomaram todos os postos de poder. STF fez gente se mexer no congresso. Governadores impuseram seus interesses ao STF, CPI fiz a imprensa prestigiá-la. Enfim, pessoas utilizando-se de meios para fazer com que outros agentes fizessem o que queriam. Poder. Puro, simples, cristalino.

Bolsonaro: Governabilidade e Pacificação

Governabilidade é a capacidade de realizar as promessas de campanha (valores e fins) através de aprovações do Congresso (pessoas e meios). Novamente o presidente cede a pressões em nome da obtenção de uma governabilidade que nunca lhe é dada.

Exemplo disso é a entrega de cabeças como do então Ministro Abraham Weintraub e, posteriormente de Ernesto Araújo e Ricardo Salles. Tudo mudou nos ministérios, para contentamento dos inimigos, mas nada mudou em governabilidade para o presidente.

Nem um ministro do STF ele está conseguindo nomear, outra prerrogativa do presidente, que deve ser chancelada pelo Senado.

A concessão seguinte foi da própria Casa Civil para Ciro Nogueira, deputado que supostamente traria o chamado “Centrão” (deputados que não se alinham ideologicamente, mas apenas por interesses próprios) e abriria portas para aprovações no Congresso, que nunca ocorreram.

Com estas concessões, Bolsonaro acabou entregando todo o governo para outros agentes.

A busca pela pacificação também acabou por miná-lo por completo. As tensões entre o presidente e os ministros Barroso e Moraes em meados de agosto, se intensificaram e a repulsa da população por estes dois agentes levou à maior manifestação popular de apoio a um presidente no 7 de Setembro.

A manifestação popular novamente concedia os meios de ação ao presidente para que negociasse a rendição de seus inimigos, mas quem terminou por render-se foi o próprio presidente.

Após o famigerado almoço com Michel Temer, habilidoso negociador, Bolsonaro mudou de atitude, apequenou-se e trouxe uma pacificação.

Seus inimigos, porém, aproveitaram-se desta nova concessão e aceleraram para cima do próprio governo: o TSE cassou um deputado federal por “fake news”, um crime que não existe na legislação e Alexandre de Moraes fez uma fortíssima ameaça àqueles que “disseminarem fake news por meio de disparos de whatsapp”.

Alexandre deixou claro que irá cassar o candidato e o enviará à cadeia, numa das demonstrações mais ferozes de tirania já vistas na história do Brasil. Assista:

O Poder das Armas

Ainda dentro do escopo de definição do poder, entende-se que agentes que possuem armas, possuem o poder absoluto em qualquer situação. Isto se aplica desde um assalto, com um moleque segurando um 38 até o lançamento de mísseis intercontinentais com capacidades nucleares.

O poder de matar é o mais elementar de todos. Na frente de uma arma, todo mundo obedece sem questionamentos.

Como chefe das Forças Armadas Bolsonaro nunca conseguiu convencer a todos de que tinha estas forças em suas mãos.

Fortes demonstrações de apoio foram dadas, também antes do 7 de Setembro, com as manifestações do Ministro da Defesa General Braga Netto e do Presidente do Clube Militar, General Eduardo José Barbosa.

Os eventos que sucederam o 7 de Setembro deixam claro que o “medo” foi estabelecido nos seus inimigos. Impor ações através da imposição do medo também é um meio de obtenção de poder.

Em resposta, os inimigos do Brasil lançam-se em fortes ameaças de impeachment na noite do mesmo 7 de Setembro, com ampla repercussão da imprensa.

Um avião foi enviado à São Paulo e, no dia 9 de setembro, Michel Termer almoça com Bolsonaro, que solta uma nota e tudo se “pacifica”. O assunto do impeachment morre e Bolsonaro cede. Mais uma vez.

A cada recuo, abre-se um vácuo, um espaço em que o poder fica flutuando. Este espaço sempre é ocupado por alguém. Isso vale na política e em todos os lugares da sociedade e todas as relações humanas.

Organizações criminosas florescem nos espaços que o Estado não ocupa. Funcionários espertos passam por cima de seus chefes em empresas privadas, quando notam sua fraqueza em conduzir o processo.

“Intervenção Branca”

O 7 de Setembro foi um clamor da sociedade pela volta do país à normalidade institucional e constitucional, tiradas do eixo pelo STF e os agentes políticos, econômicos e culturais do Brasil e do exterior.

Esta retomada presumia o uso da força, isto é, utilizar-se das Forças Armadas para restabelecer a normalidade. Esta clara demonstração popular é que causou o medo nos agentes de subversão do país.

Poderia se esperar, entretanto, que este uso de força se desse de uma forma, que eu chamo de “intervenção branca”. Algo que se demonstrou impensável no governo pela patente incompetência de todos os que circulam o presidente Bolsonaro.

O pós-7 de setembro possibilitaria conversas de bastidores, com a presença das Forças Armadas, em que rendições seriam negociadas, aí sim forçando seus inimigos a – ELES – recuarem em nome da normalidade, pacificação e governabilidade.

O que se esperar de 2022?

Bolsonaro nunca teve o respeito de seus inimigos, mas poder não se toma por respeito, se toma por imposição do medo. Agora nem medo seus inimigos mais têm.

Numa hipotética reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, o Brasil poderá afundar em caos institucional, constitucional, econômico e social, a menos que ele mude de atitude e assuma o poder.

Digo “hipotética reeleição” porque seus inimigos, agora arvorando-se do poder, tem todos os meios possíveis de destruir o presidente por completo. Torná-lo inelegível e até enviá-lo à prisão. Por que crime? Não importa. Crime no Brasil agora é o que o STF diz que é crime e, sendo assim, será fácil enquadrar o presidente.

As jurisprudências são fartas: deputado federal preso por vídeo em youtube (Daniel Silveira), deputado cassado por fake news (Del. Francischini), presidente de partido preso por ofensas (Roberto Jefferson), jornalista com pedido de prisão por participação em “gabinete do ódio” (Allan dos Santos) e por aí vai.

O leque de “novos crimes” já está consolidado na justiça sem sequer aparecer nas linhas da lei, o que configura – de forma inequívoca – um estado totalitário.

César Cremonesi

Porphirio.com - Artigos da Direita Brasileira
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Sobre o Autor

César Cremonesi é engenheiro, empreendedor, consultor de negócios e aluno de Olavo de Carvalho. Fundador da Porphirio, cujo propósito é o de levar conscientização política para a sociedade, com pensamento de direita, que trata os conceitos a partir de sua relação com a estrutura da realidade. Conservador, apoiador de Bolsonaro e dos Valores Permanentes do brasileiro.